terça-feira, 3 de junho de 2008

Obá




Obá


Obá é a orixá que aquieta e densifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial é o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados.

...A orixá Obá que nós conhecemos e aprendemos a amar e reverenciar é uma divindade regida pelos elementos terra vegetal, e Obá forma com Oxóssi a terceira linha de Umbanda Sagrada, que rege sobre o Conhecimento. Oxóssi está assentado no pólo positivo e irradiante desta linha e Obá está assentada em seu pólo negativo ou cósmico, que é absorvente.

...Seu elemento original é a terra, pois ela é orixá telúrica por excelência e atua nos seres através do terceiro sentido da vida, que é o Conhecimento, que desenvolve o raciocínio e a nossa capacidade de assimilação mental e realidade visível, ou somente perceptível, que influência nossa vida e evolução contínua. Já o seu segundo elemento é o vegetal. Enquanto o orixá Oxossi, o mitológico caçador, estimula a busca do conhecimento (evolução), Obá atrai e paralisa o ser que está se desvirtuando justamente porque assimilaram de forma viciada os conhecimentos puros.

...E se nossa amada mãe Obá já recolheu boa parte de seus filhos encantados que se espiritualizaram muitos ainda estão evoluindo nos dois lados da dimensão humana.

...Muitos dos seus filhos são, hoje e na Umbanda, alguns dos silenciosos exus e discretas pombagiras ou aguerridos caboclos e caboclas, resolutos em suas ações, precisos nos seus conselhos, e não são de muita conversa quando sentem que o conhecimento que trazem não é assimilado por seus médiuns ou pelas pessoas que os consultam.

...Obá e Oxóssi formam esta linha e atuam em pólos opostos: enquanto ele estimula a busca do conhecimento, ela paralisa os seres que se desvirtuaram justamente porque adquiriram conhecimentos viciados, distorcidos ou falsos.

...Obá atuando na linha da Fé, paralisa as pessoas que estão ensinando falsas verdades religiosas ou induzindo outros a darem mal uso ao que aprenderam sobre magias. O campo onde Obá mais atua é o religioso, preferindo deixar os outros campos para Ogum, Xangô e Iansã.

...A atuação da orixá Obá é discreta, pois ela é tão silenciosa quanto a terra, seu elemento, e quem está sendo paralisado nem percebe que está passando por uma descarga emocional muito intensa. Mas algum tempo depois, já começa a mudar alguns de seus "conceitos" errôneos ou abandona a linha de raciocínio desvirtuado e viciado que o estava direcionando.

...Obá é o encontro, a realização e a fixação. Portanto, quando um ser se cansa de buscar e esgota-se, começa a se retrair e a se imobilizar, fixando-se na terra (Obá), onde descansará e esgotará todas as vibrações "essenciais" que o moviam.

...Simbolicamente representamos Obá com a folha vegetal, onde a fotossíntese acontece.Obá concentra, transforma, energiza, vitaliza e assenta os seres.

Oferenda à Mãe Obá:

-...-Este pedido deve ser silencioso e discreto.

...Sarava Oba! Akiroobá yê!

..."EU SAÚDO O SEU CONHECIMENTO, SENHORA DA TERRA!".

..."Apresento-me para a Senhora Mãe Amada Obá."

...Solicitando seu amparo e proteção nos trabalhos espirituais.

...Sua guia, sua ajuda justa,

...Recebe esta minha oferenda Mãe Amada Obá

...--Essa oferenda deve ser depositada sobre um tecido de cor magenta ou terroso.

...-1 coco verde

...-vinho licoroso tinto ou tinto suave

...-água com hortelã macerada

...-mel ou açúcar

...-flores do campo

...-sete velas magenta ou marrom/sete velas brancas/sete velas verde-escuro

...A oferenda deverá ser depositada nas matas ou campos.

Parte do texto retirado do Livro: "O CÓDIGO DE UMBANDA"

Obra psicografada por Rubens Saraceni.



FORMAÇÃO DA UMBANDA


Para compreendermos as origens da Umbanda precisamos entender que o mundo não se resume só nas atividades, nem na cultura que observamos à nossa volta. Cada país, cada povo, possui seu atavismo cultural, sua bagagem histórica. Atavismo é o conjunto de valores morais, físicos e culturais que cada nação possui e que foram herdados das gerações antecedentes. Essas experiências são passadas de geração a geração, mantendo ao longo da história, uma gama de características comportamentais que identificam os povos e as nações.
Carl Gustav Jung (Suíça, 1875-1961), eminente estudioso do psiquismo humano, afirmou que o atavismo é provocado por um mecanismo que ele denominava "inconsciente coletivo", cujos conteúdos são arquétipos, isto é, representantes comuns dos instintos nas diferentes culturas. É nesse sistema que os costumes, conhecimentos e valores dos antepassados se deslocam pelo hábito e por uma espécie de espírito conservador para as gerações vindouras. Chega-se a dizer popularmente que os jovens possuem no "sangue" muitos valores e defeitos dos seus antepassados. Ora, nós espíritas sabemos que a alma não herda caracteres morais ou intelectuais daqueles que se constituíram em pais carnais do indivíduo. Portanto, o inconsciente coletivo é mesmo um mecanismo de transferência de valores.
Para se entender a Umbanda é preciso primeiro compreender como foi formada a sociedade brasileira e quais são suas raízes étnicas. Uma seita, culto ou religião, instala-se num dado grupo social quando encontra elementos culturais favoráveis à sua proliferação. Quais são, pois, as características sócio-culturais da sociedade brasileira? Vejamos: Sabe-se que no Brasil existe uma mistura muito grande de raças. Se, por um lado, esse fato deixou o brasileiro sem identidade definida, por outro fez com que a nação se transformasse num verdadeiro berço, onde qualquer Espírito encarnado encontra espaço para suas realizações. Daí a facilidade para frutificar idéias religiosas de diversificadas tendências. Quem chega ao país, depois de certo tempo acaba sentindo-se em casa, dada a diversidade de raças e costumes.
No princípio, no entanto, não foi assim. Ao desembarcar no continente no ano de 1500, os colonizadores portugueses encontraram aqui uma significativa nação indígena. No passar do tempo, esses povos foram dominados e subjugados pelos conquistadores europeus. O reflexo desse domínio perdura até os dias de hoje na forma de perseguições, abandono e preconceitos contra as tribos aborígenes. Pode-se, pois, afirmar que a primeira raiz do povo brasileiro é o índio.
Habituados à vida na natureza, os silvícolas não se adaptaram ao que os brancos queriam com sua diferente cultura e reagiam como podiam ao trabalho escravo, imposto pelos novos donos da terra.
As "capitanias" , imensas fazendas feudais, deveriam produzir riquezas destinadas à Coroa Portuguesa. Mas faltava mão de obra. Os índios não se mostravam dispostos a servirem de força de trabalho. Onde se poderia arranjar trabalhadores capazes de cumprir com as obrigações do campo? Na Europa certamente não seria. Ninguém por lá estava disposto a deixar as delícias da Corte para encarar o serviço braçal numa terra quente, cheia de mosquitos, doenças e outras coisas mais, a não ser os degredados, e obviamente porque lhes era imposto. Tiveram então a idéia de buscar na África o elemento negro. Não tendo razões lógicas para convencer esses irmãos a deixarem sua terra, empreenderam verdadeiras caçadas, caracterizadas pela forma desumana com eram executadas. Nascia o tráfico de escravos negros. E, eles foram trazidos para o país em grande quantidade. Muitos dos que embarcavam nos imundos navios negreiros, nunca chegavam a desembarcar na terra tupiniquim, pois ao serem tratados como animais, adoeciam e era atirados aos tubarões para que não contaminassem o resto da "carga". O negro: eis a segunda raiz de nossa gente! Antes do aparecimento do povo brasileiro, cada uma dessas duas raças, o índio e o negro, já trazia particularmente sua história milenar e, com ela, um patrimônio cultural e religioso. Ao misturarem-se, pela convivência, com a cultura européia trazida pelos descobridores, pelos aventureiros e mais tarde pelos imigrantes, deram origem ao conhecido "povo brasileiro".
A Umbanda foi fundada no Brasil por razões diversas. Uma delas é essa bagagem religiosa atávica que nos liga ao passado do negro e do índio (pretos-velhos e caboclos). Ela teve facilidade para crescer nesse sítio espiritual. Outra razão, foi a de desenvolver junto ao povo, um trabalho mais voltado para os interesses imediatistas, opularescos. A Umbanda também nasceu em terras brasileiras para atuar na solução de certos processos obsessivos, não alcançados pela prática espírita da época: a magia negra.

Fonte:José Queid Tufaile Huaixan

www.falandodeumband a.com.br

Mensagem do Exú Tiriri Menino



Dialogo do livro o Retorno de um adolescente

Vocês têm ligação com o Diabo?

Rindo, seu Tiriri diz:

O mal está dentro de cada um que vive na sua terra. Cabe a vocês distingüi-los, trabalhando para combatê-lo. Não adianta você está dentro de uma igreja, centro ou qualquer templo, invocar o nome de Deus, e logo ao sair deste, agir com maldade para com seu semelhante. Muitos na terra seriam Exú, por viverem com o coração cheio de maldades.

Vêem nos pedir para fazer o mal, e eu te pergunto? Quem é o Diabo.

Acho que deve-se contar e a fé. A essência que purifica e perfuma o coração dando a vida.

Alguns vivem a nos massacrar, por gostarmos de beber e fumar, quando deveriam verificar o trabalho realizado. Tantos em outros credos não bebem, não fumam, mas enganam e enrolam os humildes e carentes na fé.

Eu tenho certeza que meu trabalho é muito bem feito e copiado por tantos, vocês dificilmente irão ver um espírita criticar e atacar qualquer religião, porque aprendem a respeitar a liberdade de credo.

Antes de se atacar a religião por alguma coisa errada, deve-se procurar ver o caráter de quem a dirige. De falsos pastores a sua terra está cheia, tornando-se o grande inferno.

Somos massacrados por imagens e nomes que são puras palavras.

Pensem:

Quantos na terra receberam de seus pais nomes de santo e agem unicamente a serviço do mal.

A maldade existe não vindas conosco e sim com pessoas impuras e superficiais. Se um médium tem bom coração este jamais irá carregar um espírito sem luz a serviço do mal.

Alguns Dirigentes de credos diferentes mas obviamente ligados a Deus, criticam se achando os donos da verdade por lerem a palavra de Deus, criticam imagens criadas pela mão do homem se esquecendo que a Bíblia também é feita pela mão do homem e hoje já se encontra dividida por credos, acho que Deus deixou uma única escritura.. Será que eles mesmos agem por intermédio dela. Procure observá-los no dia à dia e não somente em dias de reuniões. Será que a palavra de Deus ensina seus filhos a impor ou ridicularizar, mesmo quando foi traído por Judas este sentiu piedade e amor. O perdoando.

Quem sabe estes são impulsionados com fanatismo e por esses espíritos sem luz que dizem vir dos Espíritas Umbandistas, ou do Candomblé.

Os que criticam geralmente passaram pelo espiritismo desejando algo que jamais mereceram.

Hoje enganando vão acumulando seus seguidores vão emprestando bens para impressionar e chamar mais e mais fiéis.

Eu recebo em minha casa várias pessoas também revoltadas e enganadas em seus credos, mais de que adianta brigar quando um dia de tudo tem que se prestar conta.

Espíritas não atacam, são atacados.

Alguns em seus credos atacam julgando-se melhores.

Jesus não atacou e foi castigado.

Quem é quem?

Os espíritas verdadeiros são serenos e evangelizados, não precisam defender-se, já que Deus é nosso juiz, auxiliado pelo nosso supremo advogado – O divino Mestre Jesus Cristo, no tribunal celestial.

Lembrem-se constantemente.

A vida tem seu começo, meio e fim para todos…


Dialogo do livro o Retorno de um

Vovó Luiza da Bahia



Esperança de uma Preta Velha
Vovó Luiza da Bahia
Médium Elizabeth Caetano Drumond
Psicografado em 30/04/2008
Fios,
Véia veio aqui hoje prá falar de Amor, Caridade e Humildade!
Sabe fios, Véia tem cutado muito os fios pidindo prá ser mais humilde, pidindo desculpa por ter falado um não pros irmãos, pidindo desculpa por não ter dado valor a famía enquanto estavam tudo carnado.
Véia quer fazê falador prá tudo suncês entender que quando os pedidô e os desculpador não vem do coração puro e verdadeiro que todos suncês pode ter, num dianta, fios.
É fácil fazer rezador quando a noite cai e achar que tudo tá resovido, o difíciu fio, é acordar depois e consegui amar a todos como o Pai Maior ensinou, é ajudar um desconhecido quando ele fazer precisador.
Suncês acham que fazer Caridade é só com amigo e família?
Isso é fáciu né fio?
É fáciu fazer rezador pro inimigo pedindo paz e luz, mas se o inimigo fazer ou falar alguma coisa que num é do agrado de suncês, suncês tudo esquecem do que pediu prá esses irmãos, se num é de coração num dianta.
Muitas vezes fio, suncês são seus próprios inimigos.
Suncês já fizeram pensador que muitas vezes suncês dão poder e força pros irmãos que nem faz mais pensador em suncês?
Sabe como tudo suncês fazem isso?
Lembrando todos os dias desses irmãos, falando todos os dias desses irmãos, julgando todos os dias esses irmãos.
E sabe o que é o pior fio? Muitas vezes suncês tiveram culpa das tristezas de seus corações.
É fáciu né fio culpar sempre alguém pelos seus erros, quedas e tristezas?
Porque os acertos fios, suncês levam o troféu suzinhos, às vezes fiu, suncês até falam que um irmão ajudou na vitória, mas se num fosse suncês não teria sido tão perfeito. Isso fio, é falsa humildade! Fio, cadê a Caridade? Cadê o amor com os irmãos?
"Amai vos uns aos outros como eu vos amei". Suncês lembram quem falou isso? Foi o Pai Maior!
E sabe o que Véia tem prá falar? Nada nesse mundão acontece ou deixa de acontecer que não seja da vontade de Nosso Pai.
Orai e Vigiai, fios.
E nada nesse canzuá1 acontece ou deixa de acontecer que não seja da vontade do meu irmão Pery2.
Que por mais erros, desvius e quedas que suncês passam, ele está sempre respeitando a vontade de cada um de suncês e sempre está de coração aberto pra tentar acertar e levantar tudo suncês.
E nós tudo estamos juntos ao seu lado prá pudê encaminhar cada problema prá direção certa.
Fios, quando suncês acordarem todos os dias agradeçam a nós não, e sim ao Pai Maior, por estarem encarnados e terem a oportunidade de resgatar seus carmas.
Como Véia sempre diz, só podemos ajudar se for do nosso merecimento e do merecimento de cada um de suncês, e somente se o Pai Maior quiser e achar que nós podemos ajudar.
Olhe prá um irmão como se fosse suncês. Não julguem para num serem julgados. Mas escutem sempre, pra sempre poderem ser escutados.
Reconhecer seus erros e injustiças é ser Humano, é ser Umbandista. Abaixar a cabeça e chorar não é vergonha não fio, é ser humilde.
Nêga Véia si dispedi com esperança de que cada um que leu esse papel tenha entrado um puquinho de irmandade dentro do coração de cada fio dessa cá Terra.
Que meu Pai Oxalá abençoe tudo suncês, que minha Mãe Oxum os cubra com seu manto pra que os inimigos não os enxerguem.
Saravá todo povo da Bahia!
Saravá todo povo de Congo!
Saravá todo povo de Mina!
Saravá todo povo de Angola!
Saravá todo povo de Nagô!
Saravá Umbanda!

A Entidade Tem Que Dizer Tudo?




A Entidade Tem Que Dizer Tudo?

Maria Padilha das Almas

Mensagem recebida em 16/04/08
Médium Mãe Vanessa Cabral
Dirigente do Templo Universalista Pena Branca
(Terreiro Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery)
Sempre escuto isso: “A Entidade tem que falar tudo!” E sempre digo isso: “Claro que não!”
Até quando meus filhos, vocês vão fingir que não entendem? Porquê “burros” vocês não são! Não vêem que não somos os donos da verdade? A verdade está dentro de cada um de vocês e Deus independe da verdade ou da mentira... Ele é onisciente, ou seja, tudo só Ele o sabe!
Já olharam para si mesmos, procurando identificar o quanto há de orgulho neste pensamento? É como se vocês se achassem mais importantes do que os outros e chegam até pensar que, nós todos, espíritos em evolução, tivéssemos a obrigação de dizer o que vocês por covardia não falam! Mas falam que nós, Exus e Pomba Giras, não seguramos a língua dentro da boca! E vocês? Basta virarem as costas pra soltarem a língua também!
Não somos iguais a essas “máquinas” de fazer dinheiro, que soltam uma “bolada” pra chamar a atenção do mundo inteiro! E repito, pra chamar a atenção do mundo inteiro, assim: “Joguem, joguem mais, cada vez mais”
Jogar? Só se for jogar fora, iah, há, há... E enquanto isso, nem percebem que o que vocês têm é o que realmente tem valor! Passam uma vida inteira tentando viver que nem um doutor! E acabam vivendo que nem um computador! Iah, há, há, joga o laço seu Zé, no filho de pouca fé!
Já devem estar pensando: “Nós todos, espíritos em evolução, mas e os espíritos de luz?” Iah, há, há... Nós todos, espíritos em evolução sim, pois a escuridão só existe no pensamento dos filhos! Se todos caminham para a eternidade, só pode haver Luz, pois na escuridão ninguém caminha pra lugar algum, iah, há, há...!
Nos olhos de quem vê, é tiro na certa...
Nos olhos de quem crê, é bala que adoça a alma e logo enxerga!

Mediunidade e Animismo

Trechos do livro: Mediunidade e Animismo - Um diálogo entre o médium e o espírito - Odilon Fernandes/Carlos Baccelli.
1) Que relação poderia ser estabelecida entre animismo e mediunidade? Seriam porventura, fenômenos completamente antagônicos?
- No que tange, principalmente, à mediunidade de efeitos intelectuais, não existe mediunidade em animismo, e isto porque, na produção do fenômeno, a participação do médium é imprescindível. Mediunidade, a nosso ver, se evidencia a cada vez mais como sendo um processo de parceira. A semente seria incapaz de germinar sem os ingredientes da terra.
2) Seria lícito dizer que a mediunidade procede do animismo?
- O médium não é um instrumento inteiramente passivo. Se mediunidade é sintonia, sem o concurso do médium o intercâmbio torna-se inviável – concurso físico, intelectual e moral. Quanto mais o médium se habilita para o espírito, mais o espírito se habilita para o médium, menores os obstáculos que entre ambos se interpõem no momento do transe.
3) Por que o médium deve estudar?
- Para ser um coadjuvante à altura ou mesmo suprir possíveis deficiências do espírito comunicante. Se não fosse para contar com o concurso responsável dos médiuns. O Mundo Espiritual teria preferido continuar se manifestando através das “mesas girantes”... Á semelhança do leito de um rio, todo médium, direta ou indiretamente, influencia na “corrente de pensamentos” que da mente do espírito, flui para sua mente.
4) Dentro deste contexto, toda influência é nociva?
- De modo algum, toda influência do médium quando positiva, é mesmo desejável. Neste sentido é que, na condição de desencarnados, temos insistido com os medianeiros para que se nos façam melhores instrumentos. Passividade mediúnica deve ser entendida como flexibilidade e não como absoluta isenção da parte do médium, no esforço que necessita ser compartilhado com os espíritos que procuram contactá-lo.
5) A não-participaçã o do médium não seria maior garantia de autenticidade do fenômeno?
- O fenômeno mediúnico será mais autêntico quanto maior o grau de desinteresse pessoal de seus agentes, ou seja: do médium e do espírito que por ele se manifesta. Não nos esqueçamos de que. Não raro, é do inconsciente que emergem as nossas tendências infelizes, oriundas da invigilância do pretérito.
6) O que entender por mistificação?
- Não se confunda animismo com mistificação. Separar o espírito do médium da mediunidade, na produção do fenômeno, é uma tarefa, por assim dizer, impossível; mais fácil seria separar-se o espírito comunicante. .. O animismo é pertinente tanto ao médium quanto ao espírito, que igualmente retira de si o que deseja transmitir. A mistificação é o logro, o embuste, a falta de sinceridade de propósitos...

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA UMBANDA



José Francisco Vianna Pereira e Mãe Iassan Aiporê Pery

Podemos dizer que a Umbanda é um sistema religioso fundamentalmente naturista, isto é, trabalha com as forças da natureza, assim como com espíritos contemporâneos, ou não, pesando expressivamente em seu exercício as vibrações das Almas.

Nossa religião possui muitas co-irmãs, o leigo muitas vezes confunde a Umbanda com outras religiões que possuem nomenclaturas semelhantes a Umbanda, no entanto a semelhança é meramente aparente e termina aí. Neste ponto é que gostaríamos de colocar alguns itens que consideramos fundamentais. O fato de termos raízes africanistas, e cultuarmos Orixás, gera muita confusão e sobressai a necessidade imperiosa de definir limites bem claros. Não temos a intenção de comentar outros credos, temos sim, intenção de vincar nossas assertivas.

1. Trabalhamos exclusivamente visando o bem, a caridade e a evolução espiritual de todos.

2. A Umbanda não faz despacho em encruzilhadas, não faz matança de animais, não suja a natureza, não cobra consultas e trabalhos, não faz trabalho de "amarração"!

3. Não temos feituras de cabeça, raspagens, camarinhas, roncó, corpo fechado, ebós, orunkô, feitura de santo, bascos, firmo de nação, etc.

4. As sessões obedecem a horários pré-estabelecidos, para início e término.

5. Nas sessões ou em rituais fechados de Umbanda não há abate de animais ou de qualquer outro ser vivo.

6. As oferendas aos guias, ou entidades menores, são realizadas em locais determinados normalmente junto a natureza, ou reinos apropriados, ou até mesmo dentro do próprio terreiro quando é possível. Lembrando sempre de deixar o local limpo como foi encontrado. Somos absolutamente contra, por exemplo, acender velas perto de árvores (risco de incêndio) ou numa pedra (sujeira da cera). Nós amamos a natureza e as suas energias, como podemos sujar os locais sagrados para nós?

7. Na Umbanda a vestimenta básica é toda branca em todas as giras.

8. Não há retribuições financeiras por trabalhos executados, consultas, ou o que quer que seja.

9. A ascensão ao sacerdócio na Umbanda, se faz através do tempo, da propriedade individual, da constância, dedicação, estudo e seriedade com que o médium se propõe a caridade. O trabalho e o tempo, a dedicação e o estudo profundo é que fazem a firmeza do médium. E tudo isto não acontece de uma hora para outra.

10. A prática religiosa deve ser realizada em locais específicos, nos centros. Não aprovamos e não permitimos atendimentos nem na residência do médium ou em qualquer outro local, sem a devida vênia e conhecimento da Direção do nosso Centro.

Alertamos sempre que possível, sobre o julgamento, não devemos julgar, e pior do que isto, trabalhar em detrimento de quem quer que seja julgando a causa. Se temos um problema nas mãos, procuramos através da meditação, através da fé, o esclarecimento que seja específico. Imersos em emoções, não há quem se julgue errado, o adversário sempre está errado. A assertiva número 1 deve ser uma premissa fundamental para todo umbandista.

Não devemos receitar. Se for necessário, procuramos dentro dos elementos mágicos que nos são atinentes auxílio, não somos médicos.

O médium não deve precipitar independência mediúnica. É necessário estar bem certo do que se faz. O trabalho vinculado a uma Casa de Caridade é fundamental. Lembre-se que no Centro acodem falanges de trabalhadores, sozinhos não temos esta mesma proteção.

É comum também o médium acreditar que determinados ritos (externos aos ritos da Umbanda) vão lhe conferir maior força, ou maior propriedade de trabalho. Se isto for imperioso na sua vida, esse médium deve procurar outra religião que lhe seja mais cara. Na Umbanda o preparo se dá através dos anos de trabalho, dedicação, estudos e preceitos, e portanto procuramos compreender melhor os mecanismos sutis. A oitava assertiva esclarece bastante tais dúvidas, não concordamos com mistificações, com adaptações, com misturas ritualísticas. Não fazemos "trabalhos" nos quais num passe de mágica o médium já é Chefe de Terreiro! Não meus amigos, não se iludam achando que com algumas velas e oferendas você estará preparado para chefiar uma casa de Caridade.

O trânsito de uma a outra religião é até certo modo compreensível, pois o homem sempre busca algo que lhe complete, no entanto não vamos confundir, ou tentar adaptar circunstâncias, ou seja, se você acredita que o ritual de preparo de Umbanda não lhe é suficiente, procure outra religião. Nós não adaptaremos rituais ou fundamentos para atender necessidades individuais, maculando a Umbanda. Buscaremos sim, dentro dos rituais da Umbanda atender as suas necessidades, mas você tem o seu livre-arbítrio.

www.caboclopery. com.br